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Registro #3: Justiça? — por Bernardo Bertrand

Talvez este seja meu último registro, ou não. Eu preciso encontrar a Joanna ou uma tal de Olívia, ou tentar ir para São Paulo com a Isabela — aquela Malkaviana é impressionante. Mas, antes disso tudo, eu preciso cuidar da segurança da Rosinha; eu não vou debandar e deixá-la para trás novamente. E preciso resolver tudo isso esta noite.


Caso eu não consiga, que fique tudo registrado aqui. O resumo da ópera é:


Kauã não poderia estar em posição mais condizente com o governo: tão sujo e corrupto quanto todos os últimos governos mortais do Rio de Janeiro. A Camilla, de certa forma, soube que haveria um derramamento de sangue naquela peça; por que não avisou aos da sua família? Havia diversos Malkavianos por lá. Isso só reforça a minha posição de que a Camarilla não é diferente de qualquer governo fascista e ditatorial.


Joanna é maravilhosa. Falo isso sem estar sob influência da sua Majestade; a verdade é esta: ela é foda.


E, por último: EU MATEI UMA CASTELO BRANCO.


Meu camarada José de Almeida, conhecido como “Bolota”, visto pela última vez no Largo de São Francisco em 20 de setembro de 1969 — EU MATEI SIMONE CASTELO BRANCO.


Minha camarada Roberta de Almeida, a “Berta”, irmã do Bolota, vista pela última vez na Praça Saens Peña em 1 de outubro de 1969 — EU MATEI SIMONE CASTELO BRANCO.

Meu irmão de arquibancada João Pedro Castro Júnior, o “Jão”, visto pela última vez na saída do Maracanã em 13 de setembro de 1969. Fomos finalmente campeões brasileiros em 1974 e da Libertadores da América em 1998; não vimos as glórias do nosso time, mas EU MATEI SIMONE CASTELO BRANCO.


A todos vocês, meus irmãos: eu tentei fazê-la sofrer como vocês devem ter sofrido, mas aquela casca morta não tinha alma. Ela ria enquanto eu arrancava as suas unhas com a ponta da faca; ela debochava de todos vocês. Foi então que eu segurei o rosto dela e me aproximei como quem vai dar um beijo, mas o que ela teve foi, novamente, o beijo da morte — frio como a lâmina daquela faca no seu pescoço. Ela caiu para trás: primeiro o corpo, depois a cabeça, que eu deixei rolar das minhas mãos.


De certa forma, eu senti todos vocês lá, como sinto quando estão assombrando a minha casa. Se essa coisa de espiritualidade existe, acho que vocês podem ir descansar… ou me ajudem a escapar com a Rosinha. Eu vou contar tudo hoje para ela.

 
 
 

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