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Registro #2: A Boina — por Bernardo Bertrand

Tanta coisa aconteceu desde a última vez que eu estive com a Rosinha… não consegui datilografar o que eu andei escrevendo. Tenho algumas novas composições que eu quero levar para a gravadora… Mas hoje eu estou aqui com ela; alguma coisa me disse que eu deveria vir. Desde que eu me conectei com a Rede, muita coisa estranha passou a acontecer: alguns avisos e premonições, mensagens em sonhos, mas não tenho do que reclamar, tem sido bastante útil.


Vai acontecer uma peça de teatro que está movimentando muito a Camarilla; vai ser em um Elísio Toreador aqui por perto, na Tijuca. Sabe, eu gosto dos Toreadores. Tem um cara, o Nicolas — com certeza ele seria dos nossos na nossa luta — , expressa sua arte pelo grafite. E a própria Joanna, a representante Toreadora na Primigênie. Estive com ela em algumas pouquíssimas ocasiões, mas foram suficientes para perceber que ela não é comum; ela esconde um conhecimento antigo e estranho, e eu pude presenciar algumas coisas que demonstraram isso.


Enfim, eu estou me preparando para essa peça. Algo me diz que coisas importantes, além do que já foi anunciado, vão acontecer por lá. Vai ser bom poder fazer mais contatos, quero tentar estreitar um pouco mais as relações com a Camilla, espero vê-la por lá.


Ah, já ia me esquecendo. Também vai estar nessa peça a galera mais importante do Clã dos Reis. E, entre eles, vai estar Simone Castelo Branco — sim, esse maldito sobrenome. Eu pude perceber, através desses cinquenta anos que estou na Camarilla, que muitos acontecimentos históricos tiveram Membros como idealizadores ou, no mínimo, como grandes influenciadores. E sobre essa Simone Castelo Branco, eu descobri que ela mexeu muitos pauzinhos para ajudar na deposição do Jango e colocar aqueles malditos fascistas militares no poder em 64.


Como eu queria que o Bolota, a Berta e o Jão pudessem estar aqui agora, para eu contar para eles que vou estar cara a cara com a responsável por tudo de pior que aconteceu com a gente e com outros companheiros de luta. Mas é isso, o máximo que eu vou conseguir é estar cara a cara com ela. Quem me dera pudesse fazê-la sofrer como todos sofreram…


Rosinha acabou de deixar aqui a boina que eu usava antes do exílio. “Aqui, querido, essa boina era do seu pai, vai ficar bem com ela na peça.” Queria poder contar a verdade, para que ela parasse de fingir que acredita nessa minha história.

 
 
 

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