Natal Entre Irmãos
- M. Oliver

- 24 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 18 de jan.
Cap1. Desorientação
██████████, Gávea, Dezembro de 2025
Na noite de data 24 fui ordenado pela minha dona Daniela V. á estar presente numa reunião de seu clã, como estava sendo perseguido especificamente por um barão envolvido com tráfico de pessoas tive de ficar em rédeas curtas pela minha segurança, ainda não sei como posso definir minha relação com ela, mas fato é, essa relação tem me salvado. Eu simplesmente não saberia o que fazer nessa situação e apenas por causa de minha serventia/coleira ela tem me ajudado, mas definitivamente isso me põe no jugo de jamais poder negar uma ordenança vinda dela.
Foi subindo pelas pedras, seguindo as coordenadas passadas que eu me encontrei no meio do caminho ainda agarrado no entre das pedras, errei em julgar a minha capacidade de subir prédios ser compatível com subir em florestas com pedras, forte engano.
Mas não demorou muito para que pudesse subir, e foi justamente nesse local mais plano e seguro para caminhar que parei por um breve momento, parei para… observar… fingir respirar.
As árvores altas, as violentas e cortantes folhas, as dolorosas frias pedras, tudo isso me remetia á algo que me dava… medo, achei.. estranho, de fato nunca fui “hippie” mas sempre nutri uma admiração pela natureza, em distância, é claro. Mas medo… apenas havia decidido seguir viagem.
Foi justamente bem próximo de onde parei que encontrei um pequeno buraco, mas… cabia um corpo nesse buraco, maldita foi a hora que decidi por curiosidade investigar pois no lugar de tentar saber o que ocorreu, tudo, exatamente tudo remetia ao meu abraço. Sentia o medo de forma bem presente, mas também sentia o som de minha memória de maneira mais viva possível, recordei dos tiros, do som dos estalos que quebrantaram minha estrutura corporal ao perfurar meus ossos ao que parecia ser um tiro de fuzil.
Uma coisa foi levando a outra e sentindo não somente o som, dor, medo. Tudo me remetia àquela maldita noite que fui enganado junto de outros. não tinha muita escolha, tive de abandonar a área de pesquisa e dar continuidade às ordens de Daniela, não sabia o que me aguardava caso tivesse sua reprovação.
Até o momento o medo da reprovação de Daniela era maior do que o medo de minha memória, foi até que dando continuidade à caminhada que meu corpo sentia leve, mais leve que o normal, o que era uma caminhada se tornou uma corrida.
Tropeços eram mais que certo, havia caído diversas vezes, o que sujou minhas vestes, tornou minha roupa social de uso diário em trapos de rua. Quedas me marcaram mas não impediram minha corrida, por breve momento os sons de tiros se tornaram frequentes, os sons da vegetação se quebrando ao meu redor era vívido e a dor… a dor no peito, excruciante.
Quando que por fim caído em um pequeno buraco apenas fechei meus olhos, fui protegendo minha face e meu corpo em posição fetal, naquele exato momento podia sentir a presença dos homens de Kauã me rodeando, calmamente um por um indo ao entorno do fosso e direcionando cada fuzil para mim. Não pude fazer muita coisa senão ter de aceitar a dor do que sentia, não tinha para onde correr, senti por um breve momento o que aconteceria caso desonrasse a dívida que hoje me protege.
Havia apenas me recolhido avançando por uma parede escura ainda de olhos fechados e coberto apenas pelo medo segurei firmemente com minha mão esquerda a coleira em meu pescoço e tentei… me controlar, com falhas acabei por me atormentar em uma amarga, densa e sombria lágrima de sangue que percorreu pela minha face. Aos poucos, abrindo meus olhos pude notar que era fruto das dores de minhas feridas do passado. Ansiedade estava me tomando, respirar não fazia mais sentido, apenas me restava ter de me definhar com as dores que hoje carrego.
Quando que de olhos abertos, pude notar que mais luminosa que antes estava a floresta, podia sentir que a natureza melhor correspondia ao meu sangue. Foi justamente nesse pequeno momento de recompor que fui interrompido por um homem forte, meio peludo, feral e belo. Se tratava de Adão, Chicote Gangrel, um rapaz que também trabalhava para Daniela, porém por mérito, não por misericórdia.
Adão havia me ajudado à me levantar e notando que eu não estava bem havia me escoltado até o ponto de encontro em questão. Foi cuidadoso.
Cap1. Orientação
██████████, Gávea, Dezembro de 2025
Com leves tapas em minhas roupas Adão tinha me ajudado, a marca de sangue em minha face não ajudou em minha apresentação, estava sujo, desestabilizado e carregando em meu pescoço um sinal que é visto por muitos como desonroso.
Adão ergueu minha mão e simplesmente gritou, todos gritaram juntos e comemoraram a nossa chegada, fui recebido com uma pequena bolsa de sangue, não era de meu feitio me alimentar dessa forma mas cavalo dado não se olha os dentes, pude me deliciar em comunhão, dessa vez me chamaram pelo meu nome apesar de minha situação, respeitaram.
Foi justamente fragilizado, enfrentando os meus medos de forma à ser quase que tragado por eles que fui retirado das sombras e abraçado pela segunda vez, não foi quando fui aceito na Camarilla que eu me senti parte disso, não foi quando fui abraçado, não foi quando recebi minha honraria de support eternal em meus tempos de anarquia, pela primeira vez em minha não vida senti aquilo que somente sentia no garage.
Pertencimento, Adão não me cobrou ajuda, muito menos me pressionou à humilhação, dentre os Gangrels já loucos pelo sangue manchado me senti como irmão. rodeado de ex-presidiários foi onde pude superar, notar que o passado que eu carrego é nada comparado ao que eu ainda posso carregar. sempre avante, é essa a principal mensagem da Ursa Maior para aqueles que ela cuida. Feliz Yule ou … Natal.


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