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Ticket - Personagem

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O Nosferatu
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Vamos exemplificar um Ticket Personagem. @Maria Bortolozzo Por favor anuncie qual personagem quer interagir, e sua primeira ação com esse personagem.

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Pandora segurou o rosto de Hyung entre as mãos assim que ele o aproximou do seu, recebendo aquela oferta sem qualquer hesitação. Durante alguns instantes, porém, não foi ao pescoço que ela se dirigiu. Seus olhos percorreram de perto as feições do amado, demorando-se nos olhos fendados, nos traços asiáticos e nas pequenas distorções da pele que, aqui e ali, lembravam escamas de dragão. Os polegares acariciaram suas maçãs do rosto e desceram pela linha da mandíbula, reconhecendo pelo toque aquilo que passara seis meses longe demais para alcançar. Um dos dedos encontrou suas presas longas, ainda manchadas com a Vitae que acabara de tomar dela, e percorreu uma delas até recolher um pouco do próprio Sangue. A Toreador levou o dedo aos lábios e provou, sem desviar o olhar dos olhos impacientes do Tzimisce.


Inclinou-se primeiro para beijar seu rosto. Um beijo demorado na bochecha, outro próximo à mandíbula e um terceiro quase no canto da boca, acompanhados por um sorriso breve antes que seus lábios finalmente procurassem os dele. Ali, a Sereia demorou mais. Beijou-o com toda a saudade e ternura que imaginara guardar para o reencontro, embora fosse difícil manter qualquer delicadeza por muito tempo naquelas circunstâncias. A proximidade, o gosto da própria Vitae ainda presente entre eles e, principalmente, a certeza física de que ele estava novamente diante dela fizeram seus dedos apertarem o rosto dele antes que uma das mãos escorregasse para os longos cabelos negros.


Ao fundo, um de seus carniçais surgiu no corredor, arregalou os olhos e imediatamente tratou de desaparecer. Pouco depois, o acesso ao salão foi discretamente fechado, impedindo que algum mortal curioso acabasse entrando onde não devia. Pandora mal registrou a movimentação. Naquele momento, o Engradado poderia continuar funcionando perfeitamente bem sem ela.


Seus dedos já haviam encontrado um dos chifres dele. Ela segurou-o pela base com firmeza e puxou sua cabeça para o lado, expondo o pescoço. Antes de mordê-lo, aproximou a boca da pele e deixou ali um beijo, seguido por outro mais demorado, até que as presas finalmente penetraram.


O primeiro gosto do Sangue dele depois de tantos meses fez seus olhos se fecharem.


Era a saudade adquirindo uma forma que ela podia tocar e provar. O Laço estivera desfalcado pela distância, presente o bastante para que sua ausência doesse e fraco demais para oferecer o conforto de antes. Pandora aprendera a conviver com aquela falta enquanto Hyung estava longe, preenchendo suas noites com apresentações, compromissos e todas as exigências do Engradado, mas bastou tornar a provar sua Vitae para perceber que adaptação nunca significara completude. Agora, alguma coisa que permanecera fora do lugar durante seis meses começava finalmente a retornar.


Ela bebeu sem pressa, pressionando o corpo contra o dele enquanto a mão livre permanecia enterrada em seus cabelos. A cada pequeno movimento, os dedos apertavam os fios ou deslizavam por sua nuca, enquanto a outra mão continuava segurando o chifre como se ela precisasse de mais de um ponto de contato para compensar o tempo em que não tivera nenhum. O Sangue trouxe consigo um alívio profundo e familiar, não apenas pela força do Laço, mas porque pertencia a Hyung. Nenhuma mensagem, lembrança ou distância poderia substituir aquilo.


Quando interrompeu a mordida, não se afastou. Beijou a marca deixada pelas próprias presas, percorreu a lateral do pescoço e subiu lentamente pela mandíbula até encontrar sua boca outra vez. O gosto da Vitae permaneceu entre os beijos, tornando ainda mais difícil decidir onde terminava a fome e começava a saudade.


A partir daí, a jovem perdeu qualquer interesse em manter uma sequência organizada. Alternava beijos com pequenas mordidas, às vezes puxando-o pelos cabelos, outras segurando um dos chifres para mantê-lo exatamente onde queria. Em alguns momentos interrompia tudo apenas para olhar seu rosto de perto, acariciar a pele ou passar os dedos pela base dos chifres antes que a vontade de tocá-lo novamente vencesse qualquer contemplação. Entre um gesto e outro escapavam murmúrios incompletos, o nome dele dito baixo contra sua pele e pequenas risadas quando a urgência os fazia esbarrar em uma parede ou móvel no caminho.


Acima de tudo, não o soltava. Mesmo quando diminuía o ritmo, alguma parte dela continuava agarrada a ele: dedos enrolados nos cabelos, uma mão apoiada na nuca, o braço ao redor de sua cintura ou a ponta dos dedos acariciando distraidamente um dos chifres. Depois de seis meses sem poder alcançá-lo, parecia absurdo permitir que houvesse espaço entre os dois agora. Sempre que alguns centímetros surgiam, Pandora os eliminava quase imediatamente, trazendo-o de volta pela roupa, pelos cabelos ou simplesmente aproximando o próprio corpo.


A urgência também não diminuía. Pelo contrário, quanto mais recuperava o contato que lhe faltara durante aqueles meses, menos suportável parecia a ideia de permanecer ali. O corredor estava isolado, mas continuava pertencendo ao Engradado. Do outro lado das paredes havia funcionários terminando o expediente, música vazando dos andares inferiores, garrafas sendo recolhidas e uma quantidade praticamente infinita de pequenos problemas capazes de descobrir onde sua dona estava.


Tornou a beijá-lo antes mesmo de decidir o que faria. Uma das mãos permaneceu fechada nos cabelos negros enquanto a outra voltou à base de um dos chifres, mantendo-o próximo enquanto sua boca passava dos lábios para a mandíbula e retornava ao pescoço. Deixou ali outra mordida breve, dessa vez muito mais pela vontade de senti-lo e tornar a provar seu Sangue do que por qualquer necessidade de se alimentar, e permaneceu alguns instantes com o rosto junto à pele dele.


Foi só quando seus olhos se abriram novamente que percebeu as malas abandonadas perto da bancada.


Pandora ficou olhando para elas, e a intensidade de sua expressão cedeu lugar a algo mais brando. A roupa de viagem, as malas ainda fechadas e o fato de que Hyung sequer tivera tempo de desfazer qualquer vestígio da Rússia tornavam a conclusão evidente. Ele acabara de retornar depois de seis meses e viera direto ao Engradado.


Direto até ela.


Aquilo despertou um contentamento diferente daquele trazido pelo Sangue. A mão que até então permanecera firme em seus cabelos afrouxou e passou a acariciá-los, ajeitando sem sucesso alguns dos fios que ela própria havia desfeito. Ela percorreu novamente o rosto dele com os olhos e se inclinou para beijá-lo, dessa vez com menos pressa, deixando a boca permanecer sobre a dele antes de se afastar.


Então olhou novamente para as malas.


Em algum momento ele teria de levá-las para casa. Para o ninho.


A ideia permaneceu em sua cabeça por alguns instantes até ser acompanhada por uma constatação quase absurda: Pandora nunca estivera lá. Conhecia seu Sangue, conhecia seu corpo e suas transformações, seus hábitos, sua paciência e os pontos exatos em que aquela paciência começava a desaparecer; ainda assim, havia um espaço profundamente dele que permanecia inteiramente desconhecido para ela.


Depois de seis meses separados, aquela parecia uma excelente noite para corrigir isso.


Seus dedos soltaram os cabelos e desceram pela nuca, percorreram o ombro e o braço até encontrarem a mão dele. A sereia entrelaçou os dedos aos dele e tornou a olhar para as malas, agora com uma impaciência crescente. Não queria subir para os próprios aposentos e continuar a noite no mesmo lugar onde trabalhava. Queria sair dali com ele, conhecer aquele pedaço de sua existência e, principalmente, desaparecer do alcance do restante do Rio por algumas horas.


Antes de manifestar a decisão, porém, voltou atrás e o puxou pela roupa para mais um beijo. Foi demorado, ainda carregado pelo gosto do Sangue e pela satisfação de finalmente tê-lo de volta. Quando se separou, não abriu espaço entre os dois; manteve uma das mãos presa à dele e deixou a outra retornar aos cabelos negros, os olhos percorrendo seu rosto com uma intenção que já não fazia qualquer esforço para esconder.


— Me leva pro seu ninho. Minha agenda tá vazia hoje.

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