Ela era diferente do que vêem hoje, mas não muito.
Estava conhecendo os limites da cidade, uma vez que o novo mapa da Camarilla estava estabelecido. Poucos se lembram das delimitações de locais para Primigênie de 70, tinha muito debate entre o domínio de Homero e João, ainda mais depois do aterro.
Mas estou divagando.
Ela estava com algumas folhas de papel de impressora, das que tinham furos laterais, não são mais tão comuns neste século, mas ela tinha um punhado em mãos, dobrado em três partes e estava desenhando um mapa da cidade. Por conta de questões que ainda não haviam sido levantadas, eu estava encarregado de olhar esses novos neófitos com potencial e uma Gangrel era uma raridade na Camarilla.
Assim como eu, supostamente.
Gangrel, Banu-Haqim, Brujah e Nosferatu. Sobreviviamos ainda mais à sombra do que a maioria dos outros Membros mais aptos a brincar de corte.
Coral, na época ainda Carol, comentou com um dos colegas, Hermes, se não me engano, sobre sermos vampiros de bestas vulgares e aquilo me chamou atenção.
“Somos aqueles cujo a maldição os rostos deformam, que a racionalidade se perde em meio da besta e viramos bicho, no pior sentido. Por isso não nos deixam no meio deles, eles são obsessivos, nós obscenos.”
Mas havia uma dor em sua voz, não sei por que, eu acabei querendo saber mais de onde vinha aquilo.
Comentei que um mapa das delimitações não era uma boa ideia, somos uma sociedade secreta e secreto significa sem registros. Mas ela disse que precisava, e que arcaria com as consequências se fosse pega. Não dei muita bola, muitos morriam à toa naquela época.
