Naldo sorri nostalgicamente:
Ah, sim… Onde eu estava?
Bem, não sou o melhor dos narradores. Descobri que Coral furava parte do mapa e fazia-o em relevo para um colega chamado Lírio, um membro de seu mesmo clã. Ele não era exatamente registrado na Camarilla, mas Aaron não ligava muito.
Ele não enxergava muito bem, e o relevo fazia ser mais fácil ter uma compreensão da cidade.
Percebi que ela era muito engenhosa.
Sabe, na época, não sabia por que as folhas de papel precisavam daquelas bolinhas na lateral, mas era agradável destacar. Quando ela destacava, o som me acalmava, e acabei perguntando sobre.
“Ora, Naldo, é para os pinos da impressora puxarem”
“Pinos de impressora?” Perguntei.
“Sim, bobo, para passar as folhas e fazer impressões contínuas”
Ela me explicou como funcionava a impressora, depois como funcionava um computador. E estávamos falando de um dos primeiros PC, coisa da IBM que você, pequenino, não conheceria mais. Ora, acho que quando conversei com ela era na verdade a virada da década… 1980. Nossa, que ano esse seria.
Afora os auxílios da coterie, eu não recebi visitantes. Eu negava convites para eventos e festas, também cai nas ladainhas de que eram bailes supérfluos e cheios demais. Acabei achando que todo barulho era desagradável, e fui ficando para trás, isolando-me em silêncio e solidão.
Coral continuou me visitando, ela vinha lavar roupa, disse que meu apartamento era reconfortante e que ali ela podia se sentir segura. Não entendia muito o que isso significava, pois, por um lado, era realmente silencioso só havia eu ali e estava me isolando da sociedade ( vampírica e mortal) e por outro, obviamente era um refúgio seguro!
Agora eu só saia para comprar papel.
Na virada do milênio comprei também, minto! Na verdade, e não me orgulho muito, roubei, um conjunto de canetas coloridas.
Coral gostava de coisas coloridas, gostava de assistir jogos olímpicos, sabia o nome de jogadores. Ela me deu uma televisão porque o lugar era solitário demais e eu precisava de companhia. Depois disse que era uma janela para a modernidade e que eu estava me tornando uma múmia.
Eu menti e disse que nunca veria aquela porcaria, mas acabei vendo um ou outro episódio do Chacrinha.
Foi então que comecei a notar que ela sempre chegava no meu refúgio com um olhar… triste. Saia feliz, Coral conversava tão fácil, sobre qualquer coisa. Tinha um jeito leve, se daria bem com qualquer um, me fez pensar sobre por que ela gostava tanto de vir me visitar.
Eu era, como já citei anteriormente, isolado. Ela, não parecia ser alguém assim.
Então, uma noite em um pico de luz ela esqueceu de ligar a máquina by da área de serviço e pude ver que as roupas que trazia para lavar estavam… ensanguentadas.
