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Você hesita...

— …

 

— O que foi, o gato comeu sua língua? — Pedro fala com uma voz mansa e um olhar fatal.

 

— T-Tenho uma entrega para o senhor! — você se aproxima e estende a fita de VHS.

Pedro Rezende recebe a fita da sua mão e a analisa com bastante cautela. Ele não abre a caixa do VHS; levanta-se do sofá, deixando um breve rastro de perfume forte, amadeirado e doce. 

 

— Parece que confiaram em um entregador para um trabalho tão… íntimo. — comenta o homem, insatisfeito. — Bem, pendências resolvidas. Negócios são negócios.

 

Ele tira do bolso da camisa, próximo ao peito, uma moeda de dobrão de ouro envelhecido. Ele a joga para você, que segura o objeto em um reflexo rápido.

 

— Esse é pelo serviço. Se correr, ainda pega o banco aberto e pode quitar o trabalho do seu… Sei lá, de quem mandou você aqui.

 

Ele acaricia a própria barba e se aproxima de você, analisando a curva de seu queixo, sua altura e sua expressão ao fazer o serviço. Não parece muito feliz, mas também não demonstra qualquer hostilidade particular em relação a você.

 

Ele tira do bolso de trás de sua calça de linho uma carteira e, desta, algumas notas de onça. Enrola-as no dedo e enfia dentro de sua calça, com uma proximidade invasiva. Com um sorriso jocoso e voz terna, ele sussurra bem baixinho em seu ouvido:

 

— E está é para você comprar alguma coisinha bonita no caminho de volta.

 

Ele passa a mão por seu rosto; os dedos ásperos e gélidos lhe dão calafrios. Você não sabe ao certo se a gentileza foi real ou um flerte.

 

Entretanto, com a moeda em mãos, é hora de outra parada antes do final da noite. Parece que nenhum trabalho é realmente tão simples. Próxima parada… bem, hora de ir ao banco!

MC Pedrinho
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