— Seu charme já não é mais o mesmo, Frank! Pode deixar esta desculpa esfarrapada de não-vivo, comigo.
Aproxima-se de você, em uma plataforma de vinte centímetros, um corpo magro e distorcido, como de um cadáver fantasiado para o dia das bruxas. A maquiagem forte branca e preta não favorece em nada o rosto horrendo que lhe encara de cima para baixo com um papel em mãos.
— Aceite, não é um pedido.
Hesitantemente, você toma o cartão, nele diz: Clube dos Cinco, com cinco caixinhas para marcar um carimbo, como um cartão fidelidade. Embaixo, rasurado em caneta está o nome de sua nova atendente: Pinhead.
Mas o que te assusta não é simples diagramação em Arial doze, mas o fato de que seu nome completo de mortal está escrito, como se este cartão estivesse esperando sua chegada. E como quem lhe entregou soubesse mais de você do que deveria.
— Saber de tudo é um dos meus muitos interesses. — Ela sorri de maneira macabra, sua língua preta para fora da boca antes de emitir uma gargalhada grasnada, como se dentro de sua garganta habitasse um pequeno coro de corvos.
Ela estende a mão longa e ossuda em uma das estantes, puxando de lá uma caixa de VHS. A pouca luz, faz seu semblante horrendo ainda mais desfavorecido, e é difícil confiar numa criatura que parece saída de um pesadelo. Entretanto, seu trabalho consiste em fazer uma entrega importante, e o primeiro passo, é buscar o pacote.
Você assegura a fita.

— Agora, nosso aluguel de informações sempre tem um custo. Você gostaria de deixar um segredo em troca de outro?
Pinhead tem em mãos um carimbo e o pressiona em uma almofada de tinta, certa de que você concordara com a troca. Seus instintos sabem que não deve trocar informações à torto e a direito, que muitas vezes elas valem mais do que dinheiro. Mas neste momento tem algo que você precisa saber e que apenas os dois monstros do Clube sabem.
Precisa trocar um segredo, pela informação da saída.
