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Maldito pedido

14 de set.
3 min de leitura

Ela não queria nada demais. Queria apenas aprender a andar naqueles túneis da família direito. Já fora parar neles mais de uma vez e sem preparo algum. Para sair dali, ela dependera do menino Dante. Não era justo. Ele era obviamente mais novo que ela. Talvez, não de vida, mas certamente de cabeça. Ele ainda acreditava no amor de casal. Para ela, existia apenas lealdade e cuidado entre amigos. Ela mesmo era o resultado do sacrifício que outros fizeram. Porém não eram da sua família. 


Quando chegou na humildade para Ilíada fez o pedido. Não esperava aquela resposta. Não esperava um pedido de fidelidade. 


Agora, sabia muito bem o que isso significava: sacrificaria uma amizade e jogaria por terra todo o sacrifício que Adam e 27 fizeram para ela estar ali. Sem a morte deles, ela não teria uma segunda chance no Rio de Janeiro. 


O contato com Caius era recente, mas também foi decisivo para sua sobrevivência. Além disso, ele lembrava Arthur, seu amigo de batalha da família das rosas. 


Sim, ele fez besteira e das grandes, mas também Homero pediu. Ele começou. E ela não estava disposta a fazer parte daquilo. 


Mas queria aprender. Precisava. Então, precisava se decidir quanto ao maldito pedido de Ilíada.  Não estava pronta para abrir mão de algo tão caro para ela: sua lealdade. Porém aquela era uma oportunidade única. 


Sua cabeça girava. Ficava tonta entre tantas possibilidades. Era sufocante. Não saber o que fazer: manter-se fiel a si mesma ou crescer na vida pela primeira vez. 


Então, entrou no banho. A água lhe ajudava a pensar.




Sombras do Passado: 

Chegando ao refúgio coletivo exausta, entrei no banheiro sem falar com ninguém. Liguei o chuveiro querendo que a água quente levasse mais que a sujeira de um dia de trabalho. Mas algo não estava normal. Mesmo com água fumegante, não relaxava. O corpo ainda continuava retesado e a cabeça teimava em voltar aos piores momentos do passado. Fiz de tudo para que isso não acontecesse, mas era impossível. Então, deixei a torrente malévola de pensamentos vir. 


Havíamos invadido o hotel a um certo tempo, 27 já estava sumida. Porém esta era a menor das preocupações. Solano tinha ficado no andar de cima, enfrentando um Vozhd pequeno. Eu e Adam descemos para investigar mais um andar. Mais integrantes do Sabá poderiam estar lá. 


Enquanto investigávamos, notei a aproximação de um grupo. Não liguei muito. Achei que eles queriam conversar apenas. Então, observei com atenção a dinâmica entre a mulher que vinha à frente do grupo e seus acompanhantes. Por vezes, um deles caía desfalecido no chão e ela não se importava. Obviamente, eles não passavam de carniçais.


Entre o horror e o medo, fiquei parada em choque. Esperava uma reação dela. Mas esse não era o feitio de meu amigo Adam. Sem disposição para esperar, ele avançou. 


 A uma certa distância de mim, ele simplesmente parou. Pensei que ele fosse atacar, esperei. Mas o que veio a seguir me deixou horrorizada. Ele simplesmente explodiu. Por isso fiquei coberta de sangue e tripas.


A mulher continuava seu avanço mortal. Não tive tempo para pensar ou sentir a perda do meu amigo. Corri para um lugar seguro. 


Já segura, pranteei meu amigo. Porém, meu luto foi abreviado. Solano López chegou pedindo auxílio. Não hesitei e fui ajudar o patrão. Ele me disse que nós precisávamos invadir um quarto cheio de integrantes do Sabá. 


Fiz uso de minhas habilidades para abrir a porta do quarto. Mas não tivemos tempo de entrar ou reagir de alguma forma. Vinte e sete apareceu com um lança chamas na mão e entrou no quarto, dizendo: 


— Morte ao curupira!


Ela morreu lutando contra seu maior medo! Pensei um pouco abalada. 


Embora na cabeça da lunática ela enfrentasse seu maior medo, eu sabia a verdade: a guerreira dava sua vida para nos salvar. 


Entre o choque e o agradecimento por seu gesto heróico, corri o mais rápido possível com Solano para fora do hotel. 


Em pouco tempo, estávamos de volta ao seu carro e fugimos dali. 


Já no centro cultural, onde era o refúgio de Solano. Pudemos descansar e prantear nossos mortos. 


A água escorria vermelha pelo meu corpo, enquanto tremia convulsivamente impulsionada pelo fim da torrente malévola das lembranças. Por causa do pedido de Ilíada, o passado voltou a me assombrar. Cada vez mais, estava sem saber o que fazer, como responder à Chicote Nosferatu. Seu pedido era uma traição ao meu passado. 


 
 
 

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